18 julho, 2011

Óia o drible!


Estou em plena Chapada Diamantina, lugar que adotei como mais lindo do mundo, estarrecida. Vim para cá a primeira vez em 1995. Desde então passei a frequentar regularmente a região, mas fazia 7 anos que não pisava nestas terras.
A Rua das Pedras de Lençóis, que já foi a rua comercial da cidade, agora é fechada para carros e desfila mesinhas nas suas calçadas e pisos de pedra. É tudo colorido feito a Vila Madalena – as toalhas das mesas, as plaquinhas do comércio, as roupas dos donos. Uma festa que enche os olhos e que me alegraria, facinha que sou para essa beleza boba de tecido de chita. Mas me entristece olhar para essa rua hoje. A Rua das Pedras nunca foi colorida. Na minha lembrança, ela era cinza e amarelo.

10 junho, 2011

Efeito Bola de Neve

O turista tem muito a aprender para conviver de forma harmoniosa com a natureza.  Mas não vamos exagerar.  Ou vamos?

Teste: você está em uma trilha no meio do mato e o caminho à sua frente está lamacento e nada convidativo.  O que você faz?  Desvia do barro para não sujar os pés e pisa naquele matinho limpo e seco ali do lado?  Já era.  Você caiu na desgraça como turista sustentável.  Porque um verdadeiro iluminado do triple bottom line não titubeia.  Respira fundo e segue certeiro em direção à lama.  É essa uma das regras básicas do programa Leave No Trace – algo como “Não Deixe Marcas”.  A ideia surgiu nos anos 80 entre montanhistas e ganhou fôlego.  Hoje a marca é uma organização não governamental com milhares de adeptos, sede nos EUA e programas na Austrália e no Canadá.

O princípio é simples – se você vai visitar a natureza, não deixe rastros.  Não estamos falando aqui de latinhas de cerveja ou saquinhos de fandangos, por favor.  Falamos daquela casca de mexerica que você joga com gosto atrás do arbusto se sentindo o próprio adubador da natureza.  No Leave No Trace, aquela casca não pertence ao ambiente.  E, se não pertence ao ambiente, cabe a você levá-la de volta.

08 março, 2011

Vai que é tua, Taffarel

Clarice Lispector, Homem-Aranha e Galvão Bueno já pregavam: vamos assumir mais nossas responsabilidades
 
Outro dia vi o Homem-Aranha com meu filho.  Me encantei com a história do menino que ganha poderes ao ser picado por uma aranha.  Mas o tio dele, antes de morrer, alerta: “Grandes poderes trazem junto grandes responsabilidades”.  O que me fez pensar que está cada vez mais difícil formar super-heróis.

Uma colega de trabalho levou um susto tempos atrás.  Em sua primeira viagem a campo, em um lugar remoto do Brasil, começou a sentir dores nas pernas.  Procurou o médico local, que especulou ser trombose.  Mas ele não tinha equipamentos para confirmar o diagnóstico, e liberou a garota.  Dois dias e muitas viagens de barco e avião depois, ela foi atendida e medicada.  Mas a trombose poderia ter sido confirmada apenas pelo diagnóstico clínico – os sintomas e o histórico familiar eram ululantes.  Se o médico a tivesse medicado e orientado ali mesmo, minha colega não teria corrido os riscos que correu, do alto de seus 23 anos.

Outra amiga foi ao ginecologista porque sentia um caroço no seio.  O médico mal a olhou e imediatamente pediu exames.  Lá foi ela, para os exames todos, por dias sendo perseguida pelo fantasma do câncer.  Pois então resolveu ir em um tio médico, que olhou, apalpou o tal caroço, conversou com ela, olhou mais uma vez, grudou um bife em cima e voilà – o câncer saiu: era um berne, uma nojenta larva de mosca que cresce embaixo da nossa pele.